VÍDEO: Moradores registram desordem após entrada de indígenas em casa no Acre
Indígenas são flagrados após entrar em casa no interior do Acre Um vídeo que circula nas redes sociais mostra uma casa localizada na fazenda Rosa Branca, na...
Indígenas são flagrados após entrar em casa no interior do Acre Um vídeo que circula nas redes sociais mostra uma casa localizada na fazenda Rosa Branca, na Comunidade Santa Cruz, no município do Jordão, no interior do Acre, com objetos jogados para fora da residência e revirados. Imagens mostram indígenas dentro da casa nessa terça-feira (20). (Assista acima) A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) informou, por meio de nota, que 'tomou conhecimento de relatos e imagens que sugerem o ingresso de indígenas isolados' na região. (Leia na íntegra no final da reportagem) ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 AC no WhatsApp Ainda segundo a Funai, as informações e imagens foram repassadas à Coordenação da Frente de Proteção Etnoambiental Envira (CFPE-EVA), que mobiliza uma 'expedição regular de monitoramento territorial na calha do Alto Rio Muru, abrangendo comunidades ribeirinhas situadas no entorno da área' onde vivem os indígenas isolados conhecidos como Cabeludos do Humaitá. "A equipe da Funai realiza o levantamento de informações com os moradores da área e promove ações de sensibilização sobre as diretrizes protetivas do órgão. Nos próximos dias, os trabalhos de campo concentrarão-se na busca e qualificação de vestígios materiais deixados na localidade e na investigação de possíveis rotas de deslocamento. O procedimento é indispensável para aprimorar as informações sobre a identidade étnica do grupo", diz parte da nota. Indígenas são flagrados após invadirem casa no interior do Acre Arquivo Pessoal A reportagem também entrou em contato com o Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei) Alto Rio Juruá para verificar se os indígenas pertencem a algum povo isolado e foi informada que, embora tenham rumores desta aparição, também tenta confirmar com os órgãos competentes. “Há rumores de aparição, mas como foi no Jordão, ainda estamos coletando informações. Essa responsabilidade de coleta de dados é da Funai e nós só intervimos quando a saúde é acionada”, informou Júlio Martins, coordenador do distrito. LEIA MAIS: Após seca histórica, povos indígenas no Acre dividem área de terra com risco de conflito, diz entidade Vestígios de índios isolados são achados a menos de 4 km de aldeia no Acre e órgãos indigenistas ficam em alerta Em busca de alimentos, índios isolados fazem contato em aldeia no AC: ‘Parente bom, não mexe com a gente’, diz cacique Ao g1, Ozenildo Oliveira, proprietário da localidade, disse que a movimentação na propriedade dele foi percebida por meio de câmeras de segurança. Segundo ele, a dinâmica ocorreu por volta das 11h de terça (20). “Nós estávamos lá em casa e a câmera começou a nos notificar. A gente olhou e era eles [os indígenas] que estavam subindo lá em casa. Aí eles subiram, quebraram a janela, só que a gente não ouviu o barulho da janela. Quando a gente viu, eles estavam jogando as coisas e então nós gritamos. Deu um barulho muito alto nas câmeras, eles soltaram tudo, alguns deles caíram lá embaixo, passaram pelo arame e sumiram na mata”, descreveu. Dono da propriedade percebeu movimentação por meio de imagens de câmera de segurança Arquivo Pessoal Nas imagens, feitas pelo irmão de Ozenildo e outros trabalhadores, é possível verificar o local revirado, além de gritos ao fundo, possivelmente dos indígenas indo embora. Tanto o irmão como os demais homens foram à casa após fazer um trabalho de resgate de um boi na propriedade. “Demoraram em média uns 35 minutos para desatolar esse boi e quando chegaram já estava tudo espatifado. Só que não tinha como nos comunicarmos com eles porque onde estavam desatolando o boi não tinha sinal [para se comunicar]”, detalhou. Ozenildo conta que tem a propriedade a seis anos e que esta é a primeira vez que uma situação como essa ocorre. “Hoje [quarta, 21] nós fomos fazer uma vistoria por onde eles tinham corrido, vimos tudo direitinho para onde eles foram embora”, relatou. Casa está localizada na fazenda Rosa Branca, na comunidade Santa Cruz, no município do Jordão, no interior do Acre Arquivo Pessoal Leia na íntegra a nota da Funai A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), por meio da Coordenação da Frente de Proteção Etnoambiental Envira (CFPE-EVA), informa que tomou conhecimento, no dia 20 de outubro, de relatos e imagens que sugerem o ingresso de indígenas isolados na Comunidade Santa Cruz, localizada na zona rural do Município de Jordão (AC). As informações preliminares foram transmitidas à CFPE-EVA por servidores da Base de Proteção Etnoambiental (BAPE) D’Ouro, vinculada à Unidade Avançada II (Jordão), com base em registros fotográficos e de vídeo capturados por sistemas de monitoramento de propriedades locais. Diante do ocorrido, a CFPE-EVA mobilizou imediatamente uma equipe do Serviço de Qualificação e Localização (SEQLII). Os servidores já realizavam, desde o dia 14 de outubro, uma expedição regular de monitoramento territorial na calha do alto rio Muru, abrangendo comunidades ribeirinhas situadas no entorno da área de ocupação tradicional da Referência nº 115 (Isolados/Cabeludos do Humaitá). Essa atividade de rotina busca atualizar dados sobre a dinâmica territorial de povos em isolamento, mapear pressões ou fatores de risco e sensibilizar a população regional sobre a importância de respeitar os limites desses territórios. Com o suporte operacional do Serviço de Proteção Etnoambiental (Seprote) e da Unidade Avançada II, os técnicos deslocaram-se até a localidade para dar início aos protocolos institucionais de acompanhamento. A equipe da Funai realiza o levantamento de informações com os moradores da área e promove ações de sensibilização sobre as diretrizes protetivas do órgão. Nos próximos dias, os trabalhos de campo concentrarão-se na busca e qualificação de vestígios materiais deixados na localidade e na investigação de possíveis rotas de deslocamento. O procedimento é indispensável para aprimorar as informações sobre a identidade étnica do grupo. A Funai reafirma seu compromisso com a proteção dos direitos dos povos indígenas isolados e de recente contato. O monitoramento e a vigilância territorial seguem de forma contínua no extenso complexo que abrange as cabeceiras dos rios Tarauacá, Muru e Envira, por meio da atuação conjunta de suas frentes especializadas e das equipes lotadas nas BAPEs das Unidades Avançadas I (Xinane), II (Jordão) e III (Humaitá). Por fim, o órgão destaca que a política de não contato, o respeito à autodeterminação e a garantia da exclusividade do uso das terras tradicionais permanecem como as principais diretrizes do Estado brasileiro para a salvaguarda dessas populações. Reveja os telejornais do Acre